Merendas e SP — Você tem fome de quê?

Assista antes de ler: O Gosto da Merenda (Revista Trip)

Eu sempre estudei em escola pública. Tenho muito orgulho de ter tido os melhores professores que um filho de mãe solteira, sem grandes posses materiais poderia ter.

Diferentemente de muitos colegas com quem estudava nunca precisei verdadeiramente das refeições que eram servidas que pra muitos seria uma das poucas do dia.Mas guardo com muita nostalgia a lembrança do prazer gastronômico daquelas refeições simplórias que eram preparadas com tanto gosto pelas tias da cantina.

Cabe aqui relatar uma ocasião em que eu, já marmanjo, fui buscar na extinta Escola Normal de Brasíla as minhas primas Caroline e Bárbara.

Enquanto as aguardava no pátio, senti aquele aroma maravilhoso de feijão tropeiro vindo da cantina ali perto. Cheguei ao balcão com meu jeito prosa e logo falei pra tia que aquele aroma me remetera a um passado muito aprazível. Perguntei a ela se podia me servir um bocadinho daquela iguaria.

Mas é claro, meu filho! Pegue quanto você quiser. Toma aqui um pratinho, um talher e sirva-se à vontade. — Quanta ternura, meu!

Lembro-me claramente de abocanhar a primeira colherada — quem esquece daquelas toscas colheres azuis de plástico? — e viver ali um flashback hollywoodiano repleto das melhores descargas sensoriais. Não me envergonho de dizer que meus olhos marejaram. Fechei-os por um instante já com a segunda colherada na boca.

MerendasQuando minhas primas, pequenas ainda, cerca de 9 anos, saíram e me viram terminando a “merenda” deram risadas de mim sem entender o que tinha rolado ali. Eram outros tempos em nossa família. Elas jamais entenderiam. [risos]

Essa historinha torna o episódio das merendas de SP ainda mais revoltante pra mim. Essa doença terminal que são esses filhos de chocadeira desses políticos, empresários e que assola o poder público precarizando quaisquer préstimos estatais causa uma repulsa muito violenta a cidadãos que relativizam os impactos desses atos.

É como um puta soco no estômago essa sanha hipócrita de distorcer a perspectiva sobre os problemas mais urgentes de solução no país, que põem em segundo, terceiro planos políticas que garantiriam condições mínimas de dignidade e sobrevivência aos desvalidos dos guetos e metrópoles tupiniquins.
Honestamente falando, falta muita seriedade nos segmentos mais estratégicos do poder público. Nos três poderes, nas três esferas falta a determinação das pessoas de bem em chamar pra briga, se necessário, enfiar os pés na bunda de gente que não agrega valor e está ali apenas pela famigerada estabilidade financeira.

Bradar contra corrupção e relativizar mordomias a agentes públicos é o que cria gerações e gerações de picaretas que aprendem que “quando a farinha é pouca, meu pirão primeiro”.

E você? De que lado está? O que tem feito pra mudar isso? Acredita piamente que apenas “votar no menos pior” te exime da culpa compartilhada?

Entre 2013 e 2014 eu assisti os meios de comunicação repetindo sua já tradicional montagem do tabuleiro eleitoral. As colossais falhas no sistema atual favorecem esse tipo de manipulação que, aliada a um alarmante índice de analfabetismo funcional tornam fáceis as vidas dos picaretas endinheirados com recursos de grandes empresários.

Aqui estamos… Eleitores do 45 culpam os eleitores do 13 e vice-versa, em tom nada cortez. Esquerda e direita se degladiam vexatoriamente enquanto retrocedemos em questões básicas. Nesta inércia estatal bilhões são sonegados, e dos trilhões arrecadados, uma parte expressiva volta pra rentistas e mega-empreendedores às custas do sucateamento dos serviços públicos.

2018 está logo ali.

Hoje é mais uma sexta-feira.

O Real Problema da Corrupção: conivência

Os corruptos são um problema. Nenhuma novidade nisto. Desvios de dinheiro e obtenção de vantagens imorais na condução fraudulenta de um “negócio”.

Há uma classe de pessoas ainda mais abjeta e muito mais nociva à sociedade, por todo o mal advindo da corrupção. São os apoiadores, admiradores, beneficiários diretos e indiretos dos corruptos. É contra a ação e influência desse tipo de pessoas que devemos trabalhar diuturnamente. Incansavelmente!
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Apenas minguando a força motriz que mantém os corruptos com voz ativa e platéia no coreto é que teremos condições de livrar o país deste câncer.

Pra isso funcionar temos que estar melhor preparados pra enxergar os fatos sob um viés menos ideológico. Ampliarmos o campo de visão para camadas mais externas do contexto, compreender o todo e só então eleger as partes cujos ajustes serão prioritários.

Sobre a política em nossos dias

Lá no Post It Na Testa:

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“Tenho lido e visto toda sorte de ataques e acusações de veracidade discutível a respeito dos principais candidatos aos cargos deste pleito eleitoral. Até aqui nenhuma novidade. Nem mesmo algum moribundo anseio de que um dia haja um tipo de Messias no campo político…”

Política: por que assim tão suja e tão retrógrada?

Comentário sobre a choradeira da vez: Copa do Mundo da FIFA 2014

Muito tem se visto e ouvido a respeito das indignações em torno dos preparativos para a Copa do Brasil de 2014. Todos (generalização por licença estética) desde a dita “Imprensa Golpista” até consagrados filósofos moradores de rua já tiveram seu espaço pra reclamar e esbravejar sobre o tema.
Sem fugir da regra o polêmico Luiz Carlos Prates fez o mesmo num vídeo que não vi por total desinteresse, mas prometo colocar o link aqui quando puder.
Mas o que interessa no texto de hoje, a mim pelo menos, é registrar o comentário do amigo Renato Lyon sobre o tal vídeo e também sobre o tema:

Eu conheço o Prates desde os tempos de RBS, todo dia eu o via falar sobre algo. É um babaca ignorante, sempre foi, mas dá IBOPE e por isso tem sempre uma emissora cretina dando espaço pra ele. Isto posto, vamos analisar algumas coisas:

  1. Foda-se quem vai jogar no estádio. Quando as obras atrasaram, não se sabia quem ia jogar lá. A questão não é quem vai jogar lá, seja quem for, a partida é importante para o torneio tanto quanto qualquer outro jogo é. A questão é que se assumiu um compromisso de sediar esses eventos.
    Ninguém veio aqui no Brasil implorar para que sediássemos esses eventos. Nós é que fomos lá IMPLORAR e competir pelo direito de sediar esse evento. E eu não lembro (se alguém se lembra, por gentileza me diga) de filho da puta nenhum protestando naquela época.
    Veja: uma coisa é protestar pelo excesso de gastos, obviamente superfaturados e etc. Outra bem diferente é querer atrapalhar a realização do evento agora. Não é mais hora, infelizmente. Atrapalhar o desenrolar do evento não atingiria em nada quem está nos roubando e nos prejudicando. Pelo contrário, foderia com a imagem do Brasil no exterior. Seria assinar um atestado de incompetência gerencial e técnica do nosso país. Você escolheria um país que não consegue realizar eventos do tipo pra fazer negócios ou faria negócios com a África do Sul, nosso concorrente direto como emergente e que realizou um bom evento? Percebem?
    Isso não pode ser usado como desculpa. Mas cada coisa e cada cobrança no seu lugar e hora, por favor!
  2. Eu me irrito profundamente quando falam mal da esquerda. Por quê? Porque não é porque o PT tem feito maus governos e é PARTE da esquerda no nosso país que a esquerda seja ruim. É mostrar 1/10 da verdade e tomar ela como o todo.
    A direita (Os Governos Militares inclusos) fodeu nosso país. Por dois motivos. O primeiro é que ela é tão incompetente e rouba tanto quanto a esquerda. Nosso problema com a corrupção é apartidário e cultural. E em segundo lugar, o discurso direitista no Brasil depende de somas vultosas para ser realizado, daí nos vemos nas mãos dos EUA e etc. Porque pegamos empréstimos até pra peidar mais bonito, numa mentira que dura muito pouco e não se sustenta. Ficamos com uma dívida maldita dos tempos de direita.
    Dos males o menor. Que trabalhemos apenas pra contornar e sanar um governo corrupto. Porque trabalhar pra sanar e contornar um governo corrupto e perdulario é demais.

O amigo disse o que disse e eu só pude discordar de uma coisa ao mesmo tempo que atendo a uma reivindicação dele:
EU SOU UM FILHO DA PUTA E PROTESTEI NA OCASIÃO DA “COMPETIÇÃO PARA SEDIAR A COPA”. (aqui…) Mas meu protesto foi rechaçado e taxado de antipatriota, babaca e retrógrado.
Já naquela época eu não via a menor vantagem em sediarmos a Copa justamente por não ser um retardado alienado e saber que tudo envolvendo tal evento seria nada menos que pretexto para desvio de vultosos recursos dos cofres do país a custa do suor de todo tipo de trabalhadores, os honestos e os safados. Os mesmos trabalhadores que certamente estarão ávidos por folgas do trabalho nos dias dos jogos.

Durma-se com essa!

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Mapa Astral

[Eu]
23 de Maio de 1978, 10h30m
Cruzeiro Novo-DF

(Um brother fez)
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SOL EM GÊMEOS, ASCENDENTE EM CÂNCER – O PSICO-SENSITIVO

Você, Michael, nasceu num horário em que o ascendente era o signo de Câncer. Este signo de Água combina-se ao seu Sol em Gêmeos sugerindo uma pessoa de natureza jovial, mais apta para lidar com questões de ordem artística ou intelectual do que prática. Se outros aspectos do mapa não melhorarem esta predisposição “viajante”, você pode vir a ter problemas no que diz respeito à lide com a realidade.

Câncer ascendente lhe confere uma qualidade mais afetuosa e emotiva. Sendo uma pessoa mais carinhosa do que em geral as pessoas de Gêmeos são, você transmite uma imagem terna, uma natureza dócil, mas talvez mais emotiva do que você gostaria de ser.

Pode, entretanto, ter problemas sérios de dispersão. Gêmeos já é naturalmente um signo dispersivo, e o ascendente em Câncer está associado a uma natureza flutuante, que alterna com a Lua. Por isso mesmo, é preciso cultivar ao máximo a constância em seus empreendimentos, pois hoje você pode sentir grande entusiasmo por um rumo, mas após um tempo a Lua muda e você passa a se interessar por outra coisa. Uma criatividade natural pode ser expressa em atividades artísticas, nem que seja como hobby. Vale a pena investir neste lado, Michael.

Então está bem, não é? (Risos)

Uma utopia sobre uma triste atualidade: A polêmica dos médicos cubanos no Brasil

Acompanhando a polêmica sobre o desenlace do Programa Mais Médicos que culminou (até a publicação deste) na vinda de médicos cubanos para o Brasil, fiz algums comentários em alguns posts do Facebook e achei por bem deixar este aqui:

“Um amigo comentou um fato sobre a vinda dos médicos cubanos: que eles atenderão somente os mais pobres e miseráveis do país.

Pois é. Só neste fato, já há duas coisas bem relevantes que estão sendo desprezadas na mobilização que se vê!

Uma é que os pobres e miseráveis são um eleitorado bastante influenciável justamente por causa da outra coisa que é a extrema carência de assistência do Estado. Ou seja, terreno fértil pra militância de qualquer ideologia política ou econômica.

O que eu quero dizer com isso?

Eu escolhi ser professor já na época que entrei no ensino médio. E fiz essa escolha por ter entendido logo cedo que a gente muda o mundo aos poucos, plantando sementes boas ao longo dos anos. Se você pretende mudar algo, faça mais do que votar e depois de um ou dois anos ficar xingando políticos porque eles frustraram suas expectativas pessoais (pra não falar ‘daquelas mais mesquinhas’).

Pense no próximo, trabalhe duro pelo bem comum! Estude, conheça a verdade e semeie-a entre os seus. Pratique a bondade e a justiça. Pode ser idealismo juvenil meu, mas me parece mais promissor.”

A verdade é que dentre tantas abordagens desse episódio da nossa história recente nenhuma delas parece se ocupar do que é realmente importante. Penso ser uma excelente oportunidade de revermos nossa postura omissa e inconsequente enquanto cidadãos.

Mafalda - sobre a ensinar e aprender

Brasília, uma JukeBox Paraguaia

JukeBox
Tem uma coisa na cena musical de Brasília que causa vergonha: o que abunda em falta de talento escasseia em humildade.

Não é de se admirar as casas não respeitarem os músicos. Seja no tratamento ant-iprofissional, seja na forma de cachês atrasados, descontados, e condicionados a público pagante. Uns poucos acabam pagando pela falta de “Know How” da maioria.

Muito comum ler por aí no Facebook e Twitter reclames de abusos e falta de respeito com a galera que trabalha entretendo as pessoas nas casas que oferecem música ao vivo.

E mais pernicioso ainda, arrisco dizer, é a plastificação que permeia a cena. Quase ninguém inova, até por não ser tarefa fácil quando o público não absorve bem as novidades, por falta de critério mesmo, e ficamos todos imitando um formato que o público aceita sem chiar.

Por estas e outras sempre procurei investir na música enquanto entusiasta, como minha terapia ocupacional. Prefiro isto a ser mais um enlatado nessa JukeBox que está a cena musical de Brasília.

Tem uma galera cuja atuação musical eu admiro e respeito. Por que não dizer até invejo um pouco. Este meu superficial diagnóstico não diz respeito a eles, mas sim ao contexto geral.

E antes de me atirarem pedras, respondam pra si mesmos por que algumas poucas boas bandas “DE BRASÍLIA” tocam muito mais fora do DF do que aqui?

Ah, o álcool esse pretexto danadinho

O consumo de álcool sempre esteve presente em diversos ritos ao longo dos séculos e da mitologia. Quem estudou o Ensino Regular ou foi minimamente curioso sobre as origens das diversas bebidas alcoólicas (http://br.drugfreeworld.org/drugfacts/alcohol.html) sabe disso. Ao longo de minha curta vida eu pude experimentar episódios que remontam alguns daqueles registros históricos.

Annonymous Alcoholic

Mas se por um lado eu tive alguns prejuízos materiais e morais, e isto não inclui ter sido molestado (risos), por outro lado me permitiu aprender também que este dito acaba por exercer um papel um tanto quando assustador na vida da gente quando estamos passando por problemas, sejam eles quais forem, desde pequenas paranóias até problemas profissionais e familiares.

Tendo vivido bons e maus momentos, passei a deixar de lado a imprudência juvenil do consumo descuidadoso de álcool e só então pude manter com ele a estrita relação do prazer da degustação e do torpor controlado.

Infelizmente não é o que se vê por aí e neste sentido eu sou apoiador da Tolerância Zero para álcool e direção. A recente escalada do rigor da punição para quem for pego dirigindo sob efeito de álcool pode não ser uma solução definitiva (e não será) para o problema, mas certamente vai fazer alguns sabidos pensar bem antes de se aventurar.

Entretanto a minha motivação em escrever este post de hoje nem tem nada a ver com bebida e direção. Tem a ver com a infalível capacidade do álcool de reduzir as faculdades mentais das pessoas a um estado tão primitivo e selvagem que me causa profunda descrença na humanidade.

Se você aprecia o consumo de álcool, tenha pelo menos o cuidado de entender como aquelas reações químicas afetam sua vida e a vida das pessoas que te cercam.< !> Quem sabe você consiga dar um passo adiante neste hábito tão controverso e não mais estrelar episódios vexatórios.