Que tal uma pausa pra “pensar” sobre as Eleições de 2018

Pense o voto
Pensar um pouco custa menos do que se imagina!

Observando atenciosamente a esculhambação que já se anuncia em função das campanhas eleitorais algumas constatações são assustadoras e convido-os a refletir sobre elas:

  1. Nas próximas eleições teremos que lidar com o risco de ser eleito um personagem que representa a mediocridade de um segmento da sociedade que foi insuflado nos últimos 24 anos pela negligência com a qualidade da educação e do fomento ao senso crítico nos cursos de ensino superior;
  2. Por mais que nos falte a capacidade de admitir, somos parte da geração que favoreceu este cenário tolerando o entendimento tacanho de que “política, futebol e religião não se discute” e outras frases alienantes do gênero. Política se discute sim e o fato de não termos feito isso de modo responsável fortaleceu a ascensão de um personagem nefasto que se sustenta pela robustez do senso comum alimentado com frases de efeito de programas policiais de 5ª categoria na TV aberta.
  3. É meio tarde pra tentar ensinar as pessoas sobre as consequências de votos de protesto e afins. Mas não custa nada tentar demonstrar que um voto impensado nestas eleições pode estender por mais 4 anos a instabilidade que tomou conta do país desde 2014 quando os eleitores colocaram no segundo turno Aécio Neves e Dilma Rousseff.

Procure saber quem são os candidatos, conheça as propostas deles e procure aquele que representa para toda a sociedade perspectivas de solução para distorções históricas.

Outro dia postei aqui  uma lista de alguns dos pré-candidatos pra que vocês pesquisarem sobre e quem sabe participar de rodas de debate entre seus amigos e familiares pra tentarem fechar consenso em torno de uma candidatura que não vá nos causar mais problemas do que trazer soluções a partir de 2019…

Permissa Venia – Caso do Bombeiro “herói”

Na última semana o noticiário local e os grupos de WhatsApp “bombaram” uma notícia que a meu ver é bem mais triste do que parece:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2017/12/03/interna_cidadesdf,645089/bombeiro-furta-viatura-e-e-parado-a-tiros-proximo-do-congresso.shtml

Sem nem ter lido todas as especulações sibre o caso nos jornalecos por aí, sou capaz de apostar que o camarada que pegou o carro de bombeiro não estava realmente decidido em fazer o que muitos de nós acharíamos “heróico”.

1º por causa do horário — Qualquer brasiliense roots sabe qual o horário mais apropriado pra um ato terrorista no Congresso de modo a surtir o efeito desejado, e um carro de bombeiro jamais seria a melhor ferramenta.

2º porque, como foi amplamente noticiado, tratou-se de um surto — Um ato “heróico” requer frieza e cálculo e portanto dirigir mais de 20 km até seu alvo em alta velocidade num carro com rotolights e sirenes ligados é no mínimo uma demonstração de desequilíbrio psicológico.

Espero que o cara fique bem e se resolva com as questões pessoais dele, com amparo da família e coisas do tipo.

Mas infelizmente a solução pro nosso país passa antes pela autocrítica! Qual nossa responsabilidade naquilo de que tanto reclamamos? (Era Freud que questionava isso?)

Eu tenho exercitado minha descrença na humanidade pedindo a redenção por meio de um meteoro, mas não sem antes lutar com meus parcos recursos pelo que acredito ser minha missão enquanto cidadão: ser honesto, manter e favorecer o diálogo, compartilhar conhecimento, pensar e agir pelo bem coletivo.

Compreendendo o Intervencionismo

Em 27/11/2017 no Facebook:

Ainda que eu discorde do discurso dos Intervencionistas, eu compreendo totalmente sua motivação.

Batalhando há mais de dois anos contra picaretagem escancarada na adm. do condomínio onde moro, tentando manter informados das normas a serem seguidas e mobilizados os condôminos pra que as coisas funcionem minimamente bem, chega uma hora que a gente percebe que a única saída parece ser apelar pra ignorância mesmo.

E apelar pra ignorância é uma assunção esculachada de incompetência da inteligência, porque como dizem nos fronts, é com fogo que se combate o fogo. (Ou algo assim!)

Os meios legais, o diálogo, a paciência não servem de porra nenhuma quando você vive num país repleto de ignorantes, aproveitadores, preguiçosos e aquela parcela iluminada de gente que simplesmente está pouco se fodendo pro próximo porque acha que nunca será afetado por estar acima disso tudo.

Percebem?

Não adianta xingar o nem o [boçal do] Bolsonaro. Milhões de pessoas vão votar nos dois porque simplesmente ninguém está nem aí ou não teve formação escolar adequada que o habilite a compreender o tamanho da merda em que estamos todos.

Nosso desafio enquanto democracia jovial e frágil é forjar nessas pedras brutas que chamamos de “Consciência Política” a habilidade de dialogar e construir soluções, FROM THE SCRATCH!

Vai dar uma puta mão de obra e duvido que nossa geração colha frutos desse semear. Mas me parece ser infinitamente mais promissor do que esperar a volta do messias (o de Jerusalém, PLMDDS!) ou que um meteoro do tamanho do estado Amazonas venha nos livrar de nós mesmos.

Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo. -Paul Pilzer

A ofensa à dignidade do outro como tática pro sucesso pessoal

Minha experiência recente de morar em condomínio tem me servido de excelente aprendizado sobre o ser humano e toda sua curiosa diversidade moral e ética.

Inevitável traçar um paralelo com a cena política contemporânea onde se pode observar, com um olhar mais atento, quem são, como agem e o que pretendem os atores desse teatrinho de fezes e lodo.

Não creio ser o tal complexo de vira-lata a constatação de que brasileiro é um bicho moralmente ogro, ligando pra nada ou quase nada enquanto tenta se sobressair pra ficar uma Gillette™ por cima dos outros e contar vantagem.

Serve de consolo que não é exclusividade nossa, embora o tamanho da população favoreça a percepção, mesmo o mais desatento entre nós.

Dito isto, um dado em particular tem me chamado a atenção nos últimos anos.

As campanhas de desqualificação dos “adversários” que as pessoas fazem (e as que compram o discurso) quando tem interesse em algo são um claro exemplo de que perdeu-se quase completamente o senso de respeito à dignidade humana, garantia constitucional.

Quem ofende a dignidade das pessoas publicamente parece não ter noção dos reflexos disso, em especial a manada de pessoas que embarcam cegamente nessa postura, sem qualquer noção de contexto, de contraditório, elevando exponencialmente a dimensão do estrago.

Aqui vale a máxima: se não pode contribuir positivamente, não fode mais ainda, ok?

Vamos nos fazer a gentileza de estar mais atentos a estas coisas pra não sermos corresponsáveis por histórias trágicas que podem decorrer dessas campanhas de ofensa à dignidade.

Chêro!

Quando a música me salvou

A primeira vez na vida que escutei Ramble On do Led Zeppelin eu nem sonhava um dia tocar violão, guitarra ou baixo. Cogitava menos ainda possuí-los, mesmo tendo sido fascinado por música desde muito pequeno, como me contou me avó certa vez.

Como num texto do Anderson França, um dos muitos geniais que ele escreve, eu que não nasci em berço de ouro sabia (achava) que não seria um monte de coisas que eu gostaria de ser quando crescesse.

Mas algo mágico aconteceu naquele dia e hoje re-escutando essa música e me percebendo capaz de tocar essa música que me salvou de uma adolescência de merda, vejo que alguma força magnífica neste universo age sobre nossas vidas de um modo encantador quando a gente se permite entender os sinais.

Não foi só a música que me salvou de uma vida de merda, sabe? Seria ingratidão minha com um monte de pessoas fantásticas que tive o prazer de conviver, e definitivamente, ingratidão não é minha onda. Mas certamente ela foi preponderante em me manter em sintonia com o que o universo tem de melhor.

Por isso digo que a música sempre foi a melhor religião, a melhor forma de a gente se comunicar com alguma possibilidade real de sagrado, e que a meu ver habita indissociável em cada um de nós.

“It is the summer of my smiles
Flee from me, keepers of the gloom
Speak to me only with your eyes
It is to you I give this tune
Ain’t so hard to recognize, oh
These things are clear to all from time to time, ooh…”

(Led Zeppelin – 1973 – The Rain Song)

Tenham uma semana iluminada!

Car Wash Little Fake Story

Você claramente não é nem nunca foi uma unanimidade na sua atuação como chefe do mitiê tupiniquim. Ninguém conseguira, ainda, este feito. Ocasionalmente chegou lá por total descuido e desorganização de um modelo estatal em reformulação decorrente do fracasso total do modelo até então vigente.

Daí que um inconformado grupo de contrários resolve reduzir de inócua à total nulidade as chances de que você torne a ocupar aquela chefia, em detrimento deles e a despeito do controverso mas vasto apoio que você hipoteticamente acumulou durante o exercício, dentre outras vantagens inexplicáveis.

Então a solução encontrada por essa galera “do bem” é organizar alguns engajados operadores do direito para aplicarem [de modo no mínimo curioso] os inventivos conceitos de direito dessa república em estado de reciclagem.

Tudo isso com amplo eco em uma parcela da sociedade muito pouco afeta à leitura, entendimento e respeito à legislação vigente.

Pronto!

Está praticamente instalado, testado e homologado um “novo” modelo estatal pelo qual apenas serão chefes do mitiê os indivíduos que estejam alinhados aos propósitos daquela parcela que detêm as prerrogativas da acusação, publicidade e julgamento de quem quer que seja.

FIM!

Get a sit! Shut up and enjoy your TV Series!

PIG on glasses and tie
Um ávido espectador

Los Macacos y Nosotros

Se você pretende, ainda que por tédio, entender o porquê da situação miserável que o mundo vive, basta lembrar da experiência de uns cientistas aí com os Macacos¹.

5 macacos
Alegoria dos 5 macacos

Poucas coisas são tão representativas do quanto será difícil fazer o que precisa ser feito enquanto as pessoas seguirem agindo pelo condicionamento a que estão irrevogavelmemte expostos.
É mister invocar a lembrança de que as maiores revoluções da humanidade foram protagonizadas por indivíduos ou minorias de indivíduos.

1. Por falta de tempo não achei fonte adequada sobre o tema.

Merendas e SP — Você tem fome de quê?

Assista antes de ler: O Gosto da Merenda (Revista Trip)

Eu sempre estudei em escola pública. Tenho muito orgulho de ter tido os melhores professores que um filho de mãe solteira, sem grandes posses materiais poderia ter.

Diferentemente de muitos colegas com quem estudava nunca precisei verdadeiramente das refeições que eram servidas que pra muitos seria uma das poucas do dia.Mas guardo com muita nostalgia a lembrança do prazer gastronômico daquelas refeições simplórias que eram preparadas com tanto gosto pelas tias da cantina.

Cabe aqui relatar uma ocasião em que eu, já marmanjo, fui buscar na extinta Escola Normal de Brasíla as minhas primas Caroline e Bárbara.

Enquanto as aguardava no pátio, senti aquele aroma maravilhoso de feijão tropeiro vindo da cantina ali perto. Cheguei ao balcão com meu jeito prosa e logo falei pra tia que aquele aroma me remetera a um passado muito aprazível. Perguntei a ela se podia me servir um bocadinho daquela iguaria.

Mas é claro, meu filho! Pegue quanto você quiser. Toma aqui um pratinho, um talher e sirva-se à vontade. — Quanta ternura, meu!

Lembro-me claramente de abocanhar a primeira colherada — quem esquece daquelas toscas colheres azuis de plástico? — e viver ali um flashback hollywoodiano repleto das melhores descargas sensoriais. Não me envergonho de dizer que meus olhos marejaram. Fechei-os por um instante já com a segunda colherada na boca.

MerendasQuando minhas primas, pequenas ainda, cerca de 9 anos, saíram e me viram terminando a “merenda” deram risadas de mim sem entender o que tinha rolado ali. Eram outros tempos em nossa família. Elas jamais entenderiam. [risos]

Essa historinha torna o episódio das merendas de SP ainda mais revoltante pra mim. Essa doença terminal que são esses filhos de chocadeira desses políticos, empresários e que assola o poder público precarizando quaisquer préstimos estatais causa uma repulsa muito violenta a cidadãos que relativizam os impactos desses atos.

É como um puta soco no estômago essa sanha hipócrita de distorcer a perspectiva sobre os problemas mais urgentes de solução no país, que põem em segundo, terceiro planos políticas que garantiriam condições mínimas de dignidade e sobrevivência aos desvalidos dos guetos e metrópoles tupiniquins.
Honestamente falando, falta muita seriedade nos segmentos mais estratégicos do poder público. Nos três poderes, nas três esferas falta a determinação das pessoas de bem em chamar pra briga, se necessário, enfiar os pés na bunda de gente que não agrega valor e está ali apenas pela famigerada estabilidade financeira.

Bradar contra corrupção e relativizar mordomias a agentes públicos é o que cria gerações e gerações de picaretas que aprendem que “quando a farinha é pouca, meu pirão primeiro”.

E você? De que lado está? O que tem feito pra mudar isso? Acredita piamente que apenas “votar no menos pior” te exime da culpa compartilhada?

Entre 2013 e 2014 eu assisti os meios de comunicação repetindo sua já tradicional montagem do tabuleiro eleitoral. As colossais falhas no sistema atual favorecem esse tipo de manipulação que, aliada a um alarmante índice de analfabetismo funcional tornam fáceis as vidas dos picaretas endinheirados com recursos de grandes empresários.

Aqui estamos… Eleitores do 45 culpam os eleitores do 13 e vice-versa, em tom nada cortez. Esquerda e direita se degladiam vexatoriamente enquanto retrocedemos em questões básicas. Nesta inércia estatal bilhões são sonegados, e dos trilhões arrecadados, uma parte expressiva volta pra rentistas e mega-empreendedores às custas do sucateamento dos serviços públicos.

2018 está logo ali.

Hoje é mais uma sexta-feira.

O Real Problema da Corrupção: conivência

Os corruptos são um problema. Nenhuma novidade nisto. Desvios de dinheiro e obtenção de vantagens imorais na condução fraudulenta de um “negócio”.

Há uma classe de pessoas ainda mais abjeta e muito mais nociva à sociedade, por todo o mal advindo da corrupção. São os apoiadores, admiradores, beneficiários diretos e indiretos dos corruptos. É contra a ação e influência desse tipo de pessoas que devemos trabalhar diuturnamente. Incansavelmente!
deslumbre
Apenas minguando a força motriz que mantém os corruptos com voz ativa e platéia no coreto é que teremos condições de livrar o país deste câncer.

Pra isso funcionar temos que estar melhor preparados pra enxergar os fatos sob um viés menos ideológico. Ampliarmos o campo de visão para camadas mais externas do contexto, compreender o todo e só então eleger as partes cujos ajustes serão prioritários.

Sobre a política em nossos dias

Lá no Post It Na Testa:

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“Tenho lido e visto toda sorte de ataques e acusações de veracidade discutível a respeito dos principais candidatos aos cargos deste pleito eleitoral. Até aqui nenhuma novidade. Nem mesmo algum moribundo anseio de que um dia haja um tipo de Messias no campo político…”

Política: por que assim tão suja e tão retrógrada?