Da coisa doida de preferir tocar como terapia

Quem ainda não tinha visto das minhas andanças de dedicação à música como terapia ocupacional pode tentar ver alguns dos links de vídeos (amadores, já alertando) onde toco algumas das músicas que curto.

E se por ventura quiserem ver outros:

Canal de Vídeos do Youtube

Até.

Uma utopia sobre uma triste atualidade: A polêmica dos médicos cubanos no Brasil

Acompanhando a polêmica sobre o desenlace do Programa Mais Médicos que culminou (até a publicação deste) na vinda de médicos cubanos para o Brasil, fiz algums comentários em alguns posts do Facebook e achei por bem deixar este aqui:

“Um amigo comentou um fato sobre a vinda dos médicos cubanos: que eles atenderão somente os mais pobres e miseráveis do país.

Pois é. Só neste fato, já há duas coisas bem relevantes que estão sendo desprezadas na mobilização que se vê!

Uma é que os pobres e miseráveis são um eleitorado bastante influenciável justamente por causa da outra coisa que é a extrema carência de assistência do Estado. Ou seja, terreno fértil pra militância de qualquer ideologia política ou econômica.

O que eu quero dizer com isso?

Eu escolhi ser professor já na época que entrei no ensino médio. E fiz essa escolha por ter entendido logo cedo que a gente muda o mundo aos poucos, plantando sementes boas ao longo dos anos. Se você pretende mudar algo, faça mais do que votar e depois de um ou dois anos ficar xingando políticos porque eles frustraram suas expectativas pessoais (pra não falar ‘daquelas mais mesquinhas’).

Pense no próximo, trabalhe duro pelo bem comum! Estude, conheça a verdade e semeie-a entre os seus. Pratique a bondade e a justiça. Pode ser idealismo juvenil meu, mas me parece mais promissor.”

A verdade é que dentre tantas abordagens desse episódio da nossa história recente nenhuma delas parece se ocupar do que é realmente importante. Penso ser uma excelente oportunidade de revermos nossa postura omissa e inconsequente enquanto cidadãos.

Mafalda - sobre a ensinar e aprender

Brasília, uma JukeBox Paraguaia

JukeBox
Tem uma coisa na cena musical de Brasília que causa vergonha: o que abunda em falta de talento escasseia em humildade.

Não é de se admirar as casas não respeitarem os músicos. Seja no tratamento ant-iprofissional, seja na forma de cachês atrasados, descontados, e condicionados a público pagante. Uns poucos acabam pagando pela falta de “Know How” da maioria.

Muito comum ler por aí no Facebook e Twitter reclames de abusos e falta de respeito com a galera que trabalha entretendo as pessoas nas casas que oferecem música ao vivo.

E mais pernicioso ainda, arrisco dizer, é a plastificação que permeia a cena. Quase ninguém inova, até por não ser tarefa fácil quando o público não absorve bem as novidades, por falta de critério mesmo, e ficamos todos imitando um formato que o público aceita sem chiar.

Por estas e outras sempre procurei investir na música enquanto entusiasta, como minha terapia ocupacional. Prefiro isto a ser mais um enlatado nessa JukeBox que está a cena musical de Brasília.

Tem uma galera cuja atuação musical eu admiro e respeito. Por que não dizer até invejo um pouco. Este meu superficial diagnóstico não diz respeito a eles, mas sim ao contexto geral.

E antes de me atirarem pedras, respondam pra si mesmos por que algumas poucas boas bandas “DE BRASÍLIA” tocam muito mais fora do DF do que aqui?

Ah, o álcool esse pretexto danadinho

O consumo de álcool sempre esteve presente em diversos ritos ao longo dos séculos e da mitologia. Quem estudou o Ensino Regular ou foi minimamente curioso sobre as origens das diversas bebidas alcoólicas (http://br.drugfreeworld.org/drugfacts/alcohol.html) sabe disso. Ao longo de minha curta vida eu pude experimentar episódios que remontam alguns daqueles registros históricos.

Annonymous Alcoholic

Mas se por um lado eu tive alguns prejuízos materiais e morais, e isto não inclui ter sido molestado (risos), por outro lado me permitiu aprender também que este dito acaba por exercer um papel um tanto quando assustador na vida da gente quando estamos passando por problemas, sejam eles quais forem, desde pequenas paranóias até problemas profissionais e familiares.

Tendo vivido bons e maus momentos, passei a deixar de lado a imprudência juvenil do consumo descuidadoso de álcool e só então pude manter com ele a estrita relação do prazer da degustação e do torpor controlado.

Infelizmente não é o que se vê por aí e neste sentido eu sou apoiador da Tolerância Zero para álcool e direção. A recente escalada do rigor da punição para quem for pego dirigindo sob efeito de álcool pode não ser uma solução definitiva (e não será) para o problema, mas certamente vai fazer alguns sabidos pensar bem antes de se aventurar.

Entretanto a minha motivação em escrever este post de hoje nem tem nada a ver com bebida e direção. Tem a ver com a infalível capacidade do álcool de reduzir as faculdades mentais das pessoas a um estado tão primitivo e selvagem que me causa profunda descrença na humanidade.

Se você aprecia o consumo de álcool, tenha pelo menos o cuidado de entender como aquelas reações químicas afetam sua vida e a vida das pessoas que te cercam.< !> Quem sabe você consiga dar um passo adiante neste hábito tão controverso e não mais estrelar episódios vexatórios.

Vida de Músico em Terra de Faroeste Caboclo

Após algum tempo desde a primeira vez que resolvi me aventurar a tocar em estabelecimentos que ofereciam música ao vivo a seus clientes passei a ver com outros olhos, estarrecidos, adianto, como funciona a cena musical aqui por estas bandas. [trocadilho incidental]

Desde sempre sou fascinado por música. Minha avó conta que eu já cantava Lulu Santos com certo primor antes mesmo de entender do que se tratava. Anos depois, quando troquei um vídeo game que havia ganhado de presente da minha madrinha (que teve que fazer um certo malabarismo pra convencer meu primo a abrir mão dele) pelo meu primeiro violão, pude vivenciar essa paixão de maneira mais efetiva. Era muito frequente eu promover luaus regados a vinho e Di Giorgio na Praça dos Três Poderes, Orla do Lago Norte…, para os quais sempre convidava amigos e parentes.

Certo dia, meio que de brincadeira, propus à Luiza Neiva, amiga e dona do Café com Letras, que eu fizesse a trilha sonora da noite. Ela topou na hora e foi um barato a minha estréia nessa brincadeira de tocar pra outros ouvintes além de mim mesmo. Lembro que foi meio delicado pra mim receber o couvert artístico ao final de um evento que promovi pra meu deleite pessoal. A grana não estava nos meus planos.

Perto dessa época comecei a tocar com meu irmão que já vinha de uma razoável experiência tocando “profissionalmente” em várias iniciativas e vertentes musicais mesmo sendo mais novo. A Radiola de Cordas formou-se a partir dessa vontade de tocar as músicas que a gente curtia ouvir desde moleques.

Bom pra nós que essa vontade não é só nossa. A gente encontra eco nas pessoas que nos ouvem pelos casamentos, shoppings, escolas, festas, eventos e bares onde tocamos e eis aqui uma receita feliz pra quem é proprietário de bares ou promotor de eventos: oferta e procura. Julgo apropriado dizer que Brasília tem uma grande carência de espaços adequados pra quem curte música. Vide a polêmica do fechamento do Café da Rua 8 e a questionável atuação da AGEFIS frente ao problema.

Já aqui neste ponto a coisa toda passa a assumir outros contornos. Graves, acrescento, pra quem opta por garantir seu sustento com a grana paga pelos dotes musicais.

Atualmente não existem muitos instrumentos legais que satisfaçam as reais necessidades do exercício profissional, salvo nos casos de músicos de orquestras sinfônicas (país afora) que passam por concursos públicos e tem nisso uma carreira relativamente próspera.

Apesar de caduca a Lei 3.857 de 1960 instituiu a OMB com o objetivo de garantir suporte legal à atividade do músico profissional. Mas há um certo furor por parte de alguns músicos para acabar com a OMB quando o esforço, na minha humilde opinião, deveria ser justamente de fortalecer a instituição e por meio dessa representação buscar a reformulação da legislação no sentido de garantir alguma dignidade.

Longe dessa longa discussão legal que é multi facetada está a realidade de quem toca pra fazer a animação de quem está desfrutando de seu momento de lazer.

Até onde sei há duas modalidades de pagamento praticadas por estas cercanias: couvert artístico, cobrado pelo estabelecimento dos frequentadores para os músicos e o cachê fixo, valor pré-estabelecido.

No primeiro caso, o primeiro problema: há quem diga que o couvert artístico não é obrigatório e por isso alguns donos/gerentes de estabelecimento valem-se desta informação dúbia para suprimir dos músicos a paga pelos serviços prestados.

Se você costuma frequentar bares que cobram couvert artístico, reflita sobre isso quando for pagar a conta. Mesmo que o músico seja ruim ou não tão bom quanto você gostaria, considere jogar limpo com ele pois ele provavelmente tira disso o sustento dele e vai gostar do feedback que favoreça seu aprimoramento.

Há um outro problema: como muitos pagamentos de conta são feitos com cartões de débito e crédito acontece sempre de o pagamento pelas horas de animação ser adiado de acordo com a conveniência dos donos/gerentes de bares. Absurdo? E quando o dono do estabelecimento tira do couvert artístico percentual referente ao custo das transações com cartão?

Eu resolvi escrever sobre esse assunto porque ao longo de 7 anos me deparei com várias situações dessas e vejo o quanto ela afeta pessoas que, como disse antes, fazem da música seu ganha-pão.

Mesmo sendo um Analista de Sistemas que nas horas vagas se diverte tocando e ganha o bastante pra financiar apenas a manutenção dos equipamentos e instrumentos que uso pra vivenciar essa paixão de família, já tomei muitos calotes de gente que não tem um “semi-fuso” de respeito pelo trabalho dos outros.

E olha que eu não uso equipamentos de primeira linha, que no Brasil, em Brasília especialmente, chegam a custar de 2 a 5 vezes o que ganha um Analista de Sistemas de nível pleno. (Veja exemplo)

Momento Recados

Se você é músico, organize-se, profissionalize-se para oferecer o melhor da sua veia artística e dela tirar sua retribuição de forma justa e gratificante.

Se você é apreciador de música, procure dar preferência a estabelecimentos e eventos que respeitam os artistas que trabalham durante suas horas de entretenimento.

Se você é dono/gerente de estabelecimento, procure valorizar seus clientes e os artistas mantendo seu negócio próspero.

O Brazil da Copa de 2014 e a Telefonia [Móvel] de 1950*

A telefonia móvel se tornou item de primeira necessidade no país, tanto para o uso pessoal, quanto para o desenvolvimento do setor público e privado. No início do ano a ONU publicou um relatório sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação, e, não era segredo pra ninguém, o Brasil apareceu como o país em que o custo deste serviço é o mais caro entre os países em desenvolvimento.

A gente paga caro e o mais legal, é que ninguém sabe quais as exigências a ANATEL faz para que as nossas “queridas e amadas” operadoras de telefonia, tal como são desconhecidas da população as medidas promovidas pela agência para garantir a melhoria contínua dos serviços, as sanções que já foram aplicadas em razão do descumprimento dos termos dos contratos de concessão e dos serviços além de abusos cometidos contra o direito do consumidor.

Resultado do cenário acima é que as operadoras prestam serviços com preços extorsivos, qualidade que de tão ruim torna quase nula a prestação do mesmo, não dispõem de mecanismos eficazes de solução de problemas técnicos dos mais simples aos mais complexos, profissionais das linhas de atendimento mal capacitados e a ANATEL, concebida para garantir que as empresas concessionárias prestem serviços de ponta pra população, porta-se como um enorme cabide de empregos e instrumento de articulação política fechando os olhos diante desse cenário caótico e vergonhoso em que se encontra o sistema de telecomunicações no Brasil.

O país da Copa de 2014 vivendo a derrota de 1950 na Saúde, Infraestrutura, Segurança, Tecnologia e Educação.

Portanto, ANATEL, rogai por nós.

Cartinha ao Sr. Governador do DF

agnelo
Agnelo 'Feliz'

Querido governador lindo,

Eu sei que sua agenda de compromissos sociais tem atrapalhado bastante o cumprimento do cronograma de governo prometido durante as eleições. Eu também entendo que conseguir adiar uma CPI sobre grampos deve ter tomado muito do seu precioso tempo.

Portanto quando o senhor conseguir ficar mais atuante em seu governo eu gostaria de pedir pro senhor não esquecer de retomar o cronograma de governo e cumprir as promessas que o senhor fez durante as eleições.

Eu votei no senhor, bem como alguns poucos lúcidos conhecidos meus, e acho de verdade que você é capaz de fazer um governo melhor do que os anteriores. Pelo menos quero continuar crendo nisso, porque gosto de acreditar nas pessoas de bem. Gosto de verdade e é exatamente por isso que eu vou dar esses toques p’ro senhor:

  • Evite andar menos de carro pelas estradas do DF! Use seus outros meios de transporte, tipo helicóptero, iatezinho e tal. As estradas estão horríveis e os carros estão estragando em cada buraco que mal dá pra acreditar que aqui é a Capital Federal.
  • Tente fazer um esforço para matricular seus filhos nas escolas particulares. Essa greve pode acabar frustando os planos para suas férias de fim de ano, é sério.
  • Evite também vir ao trabalho de manhã nos horários de pico, pois o trânsito está bem centralizado. Todo mundo vai trabalhar praticamente no mesmo lugar, o trânsito não está fluindo muito e não há mais tantas vagas nos estacionamentos públicos.
  • Tente pegar uma carona ou utilize o transporte público quando tiver que chegar mais cedo ao trabalho. E se for de baú (nome carinhoso que se refere à idade dos ônibus) saia cedo pra não correr o risco de chegar atrasado devido à manutenção dos ônibus. É muito comum eles quebrarem por aí.

Enfim governador. Eu vou continuar esperando pelo senhor. Não esqueça de dar um toque quando o senhor puder retornar às suas atividades normais. A gente vai gostar de ver cessarem aquelas piadas de mau gosto justificáveis que fazem comparando o senhor àqueles outros moços que estiveram no seu lugar.

Queria mesmo que o senhor tentasse observar alguns pontos que eu mencionei aqui pois assim o senhor acaba ajudando a gente também.

Ah, não se esqueça de se agasalhar bem pois o inverno tá chegando aê e o senhor deve ter notado que o sistema público de saúde anda com francas dificuldades em atender a demanda da população. Eu sei que o senhor não iria recorrer ao HB-DF, mas os hospitais particulares andam com umas práticas meio esquisitas também.

Obrigado.

🙂

Ass: Todos nós que acreditamos que as coisas por aqui podem mudar.

PS.: Sem querer pedir muito, se puder incentivar sua equipe a trabalhar mais também pode ser que isso tire algum peso dos seus ombros.

Discernimento em Ampolas

AmpolasDesde que comecei a ter alguma compreensão de como a vida funciona eu passei a admirar um traço humano por demais bacana: a inteligência, sobretudo quando ela se manifesta por meio do discernimento.

O tal discernimento atua como uma espécie de filtro que, no limiar da nossa individualidade, nos permite agir mais primitivamente ou mais racionalmente na proporção do desenvolvimento deste traço em nós.

Em algumas linhas de pensamento diz-se ainda que o discernimento nos permite agir mais de acordo com os desígnios Divinos em nossa vida.

Ao longo do meu desenvolvimento como pessoa adulta aprendi a valorizar a real necessidade de aprimorar esse traço e felizmente essa incessante busca tem me tornado capaz de administrar situações em que o meu eu primitivo cometeria deslizes que me trariam muito arrependimento.

Não que eu não os tenha cometido, mas sem discernimento os meus deslizes também não me serviriam de aprendizado nenhum.

O que se vê mais notoriamente é que as inúmeras mazelas que nossa geração enfrenta, desde a vida pessoal/familiar até a vida social mais ampla atuam por vezes de modo a desligar essa característica tão fundamental.

Por mais absurdo que possa parecer o título do Post It Na Testa de hoje ele reflete um anseio utópico de que se descubra uma forma de sintetizar o discernimento pra que ele seja administrado em ampolas como a Benzetacil.

Eu prefiro comparar com a Benzetacil porque ela está entre as injeções menos ‘amadas’, mas quando administrada elimina a infecção em poucas horas.

A maior vantagem das ampolas, além da cura quase instantânea, é que tal qual a Benzetacil ia dar pra prender o paciente entre as pernas e aplicar na força bruta como minha amada [super] avó Iracema fazia quando eu era moleque e esperneava com medo da injeção.

Obrigado, vó! Te devo minha vida!