Quando a música me salvou

A primeira vez na vida que escutei Ramble On do Led Zeppelin eu nem sonhava um dia tocar violão, guitarra ou baixo. Cogitava menos ainda possuí-los, mesmo tendo sido fascinado por música desde muito pequeno, como me contou me avó certa vez.

Como num texto do Anderson França, um dos muitos geniais que ele escreve, eu que não nasci em berço de ouro sabia (achava) que não seria um monte de coisas que eu gostaria de ser quando crescesse.

Mas algo mágico aconteceu naquele dia e hoje re-escutando essa música e me percebendo capaz de tocar essa música que me salvou de uma adolescência de merda, vejo que alguma força magnífica neste universo age sobre nossas vidas de um modo encantador quando a gente se permite entender os sinais.

Não foi só a música que me salvou de uma vida de merda, sabe? Seria ingratidão minha com um monte de pessoas fantásticas que tive o prazer de conviver, e definitivamente, ingratidão não é minha onda. Mas certamente ela foi preponderante em me manter em sintonia com o que o universo tem de melhor.

Por isso digo que a música sempre foi a melhor religião, a melhor forma de a gente se comunicar com alguma possibilidade real de sagrado, e que a meu ver habita indissociável em cada um de nós.

“It is the summer of my smiles
Flee from me, keepers of the gloom
Speak to me only with your eyes
It is to you I give this tune
Ain’t so hard to recognize, oh
These things are clear to all from time to time, ooh…”

(Led Zeppelin – 1973 – The Rain Song)

Tenham uma semana iluminada!

Brasília, uma JukeBox Paraguaia

JukeBox
Tem uma coisa na cena musical de Brasília que causa vergonha: o que abunda em falta de talento escasseia em humildade.

Não é de se admirar as casas não respeitarem os músicos. Seja no tratamento ant-iprofissional, seja na forma de cachês atrasados, descontados, e condicionados a público pagante. Uns poucos acabam pagando pela falta de “Know How” da maioria.

Muito comum ler por aí no Facebook e Twitter reclames de abusos e falta de respeito com a galera que trabalha entretendo as pessoas nas casas que oferecem música ao vivo.

E mais pernicioso ainda, arrisco dizer, é a plastificação que permeia a cena. Quase ninguém inova, até por não ser tarefa fácil quando o público não absorve bem as novidades, por falta de critério mesmo, e ficamos todos imitando um formato que o público aceita sem chiar.

Por estas e outras sempre procurei investir na música enquanto entusiasta, como minha terapia ocupacional. Prefiro isto a ser mais um enlatado nessa JukeBox que está a cena musical de Brasília.

Tem uma galera cuja atuação musical eu admiro e respeito. Por que não dizer até invejo um pouco. Este meu superficial diagnóstico não diz respeito a eles, mas sim ao contexto geral.

E antes de me atirarem pedras, respondam pra si mesmos por que algumas poucas boas bandas “DE BRASÍLIA” tocam muito mais fora do DF do que aqui?

Vida de Músico em Terra de Faroeste Caboclo

Após algum tempo desde a primeira vez que resolvi me aventurar a tocar em estabelecimentos que ofereciam música ao vivo a seus clientes passei a ver com outros olhos, estarrecidos, adianto, como funciona a cena musical aqui por estas bandas. [trocadilho incidental]

Desde sempre sou fascinado por música. Minha avó conta que eu já cantava Lulu Santos com certo primor antes mesmo de entender do que se tratava. Anos depois, quando troquei um vídeo game que havia ganhado de presente da minha madrinha (que teve que fazer um certo malabarismo pra convencer meu primo a abrir mão dele) pelo meu primeiro violão, pude vivenciar essa paixão de maneira mais efetiva. Era muito frequente eu promover luaus regados a vinho e Di Giorgio na Praça dos Três Poderes, Orla do Lago Norte…, para os quais sempre convidava amigos e parentes.

Certo dia, meio que de brincadeira, propus à Luiza Neiva, amiga e dona do Café com Letras, que eu fizesse a trilha sonora da noite. Ela topou na hora e foi um barato a minha estréia nessa brincadeira de tocar pra outros ouvintes além de mim mesmo. Lembro que foi meio delicado pra mim receber o couvert artístico ao final de um evento que promovi pra meu deleite pessoal. A grana não estava nos meus planos.

Perto dessa época comecei a tocar com meu irmão que já vinha de uma razoável experiência tocando “profissionalmente” em várias iniciativas e vertentes musicais mesmo sendo mais novo. A Radiola de Cordas formou-se a partir dessa vontade de tocar as músicas que a gente curtia ouvir desde moleques.

Bom pra nós que essa vontade não é só nossa. A gente encontra eco nas pessoas que nos ouvem pelos casamentos, shoppings, escolas, festas, eventos e bares onde tocamos e eis aqui uma receita feliz pra quem é proprietário de bares ou promotor de eventos: oferta e procura. Julgo apropriado dizer que Brasília tem uma grande carência de espaços adequados pra quem curte música. Vide a polêmica do fechamento do Café da Rua 8 e a questionável atuação da AGEFIS frente ao problema.

Já aqui neste ponto a coisa toda passa a assumir outros contornos. Graves, acrescento, pra quem opta por garantir seu sustento com a grana paga pelos dotes musicais.

Atualmente não existem muitos instrumentos legais que satisfaçam as reais necessidades do exercício profissional, salvo nos casos de músicos de orquestras sinfônicas (país afora) que passam por concursos públicos e tem nisso uma carreira relativamente próspera.

Apesar de caduca a Lei 3.857 de 1960 instituiu a OMB com o objetivo de garantir suporte legal à atividade do músico profissional. Mas há um certo furor por parte de alguns músicos para acabar com a OMB quando o esforço, na minha humilde opinião, deveria ser justamente de fortalecer a instituição e por meio dessa representação buscar a reformulação da legislação no sentido de garantir alguma dignidade.

Longe dessa longa discussão legal que é multi facetada está a realidade de quem toca pra fazer a animação de quem está desfrutando de seu momento de lazer.

Até onde sei há duas modalidades de pagamento praticadas por estas cercanias: couvert artístico, cobrado pelo estabelecimento dos frequentadores para os músicos e o cachê fixo, valor pré-estabelecido.

No primeiro caso, o primeiro problema: há quem diga que o couvert artístico não é obrigatório e por isso alguns donos/gerentes de estabelecimento valem-se desta informação dúbia para suprimir dos músicos a paga pelos serviços prestados.

Se você costuma frequentar bares que cobram couvert artístico, reflita sobre isso quando for pagar a conta. Mesmo que o músico seja ruim ou não tão bom quanto você gostaria, considere jogar limpo com ele pois ele provavelmente tira disso o sustento dele e vai gostar do feedback que favoreça seu aprimoramento.

Há um outro problema: como muitos pagamentos de conta são feitos com cartões de débito e crédito acontece sempre de o pagamento pelas horas de animação ser adiado de acordo com a conveniência dos donos/gerentes de bares. Absurdo? E quando o dono do estabelecimento tira do couvert artístico percentual referente ao custo das transações com cartão?

Eu resolvi escrever sobre esse assunto porque ao longo de 7 anos me deparei com várias situações dessas e vejo o quanto ela afeta pessoas que, como disse antes, fazem da música seu ganha-pão.

Mesmo sendo um Analista de Sistemas que nas horas vagas se diverte tocando e ganha o bastante pra financiar apenas a manutenção dos equipamentos e instrumentos que uso pra vivenciar essa paixão de família, já tomei muitos calotes de gente que não tem um “semi-fuso” de respeito pelo trabalho dos outros.

E olha que eu não uso equipamentos de primeira linha, que no Brasil, em Brasília especialmente, chegam a custar de 2 a 5 vezes o que ganha um Analista de Sistemas de nível pleno. (Veja exemplo)

Momento Recados

Se você é músico, organize-se, profissionalize-se para oferecer o melhor da sua veia artística e dela tirar sua retribuição de forma justa e gratificante.

Se você é apreciador de música, procure dar preferência a estabelecimentos e eventos que respeitam os artistas que trabalham durante suas horas de entretenimento.

Se você é dono/gerente de estabelecimento, procure valorizar seus clientes e os artistas mantendo seu negócio próspero.

Radiola de Cordas – Old Love

(http://soundcloud.com/michaellourant/old-love-cover)

Um clássico pouco conhecido do Eric Clapton (Acredite! Tem muita gente que não conhece) que eu tenho orgulho de ter aprendido a tocar sozinho, ouvindo inúmeras vezes e tirando cada detalhe dos acordes e variações numa época em que as cifras de músicas internacionais eram tão raras quanto os próprios discos.

Não vou nem mencionar como era a internet aqui em Brasília em meados de 1991.

Radiola de Cordas – Easy (like sunday morning)

(http://soundcloud.com/michaellourant/easy-cover)

Easy (Like Sunday Morning) É um cover de Commodores que a Radiola de Cordas faz com muito gosto.

Eu particularmente adoro essa música pela sensação de relax que ela confere ao ouvinte.

E ando mesmo numa vibe de necessitar de um domingo assim pra ficar desligado do mundo.

O Post It Na Testa de hoje é pra eu lembrar de reservar uns domingos pra mim.

(Radiola de Cordas é Guto Santanna, violão, guitarra e vocais, Marcus Ribeiro, percursão e bateria e Michael Lourant, violão, baixo e vocais.)

Pesquisa com música e seus efeitos no tratamento do câncer de mama.

Avanços em pesquisa sobre efeitos da música em tratamentos de câncer.

Eu sempre disse a música representa um elo ainda imaculado entre nós e o “Agente da Criação”. Não vale aqui considerar estilos, este e aquele grupo. Falo da música enquanto fenômeno mais físico do que cultural.Esta pesquisa mostra a nós o quanto estamos distantes da compreensão da vida no universo.Não deixem de ouvir.