Quando a música me salvou

A primeira vez na vida que escutei Ramble On do Led Zeppelin eu nem sonhava um dia tocar violão, guitarra ou baixo. Cogitava menos ainda possuí-los, mesmo tendo sido fascinado por música desde muito pequeno, como me contou me avó certa vez.

Como num texto do Anderson França, um dos muitos geniais que ele escreve, eu que não nasci em berço de ouro sabia (achava) que não seria um monte de coisas que eu gostaria de ser quando crescesse.

Mas algo mágico aconteceu naquele dia e hoje re-escutando essa música e me percebendo capaz de tocar essa música que me salvou de uma adolescência de merda, vejo que alguma força magnífica neste universo age sobre nossas vidas de um modo encantador quando a gente se permite entender os sinais.

Não foi só a música que me salvou de uma vida de merda, sabe? Seria ingratidão minha com um monte de pessoas fantásticas que tive o prazer de conviver, e definitivamente, ingratidão não é minha onda. Mas certamente ela foi preponderante em me manter em sintonia com o que o universo tem de melhor.

Por isso digo que a música sempre foi a melhor religião, a melhor forma de a gente se comunicar com alguma possibilidade real de sagrado, e que a meu ver habita indissociável em cada um de nós.

“It is the summer of my smiles
Flee from me, keepers of the gloom
Speak to me only with your eyes
It is to you I give this tune
Ain’t so hard to recognize, oh
These things are clear to all from time to time, ooh…”

(Led Zeppelin – 1973 – The Rain Song)

Tenham uma semana iluminada!